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21 de fev. de 2016

bilhete só de ida


O mundo corporativo nos obriga a comprar e comprar, quem não participa vai sendo posto de escanteio. Já não se consegue mais ativar um Cartão de Crédito pelo telefone fixo, nossa voz é suspeita de fraude, o número do telefone fixo pode ter sido garfado, e para o banco eu posso não ser eu. 


Preencher um formulário de identificação pela net, pode só funcionar se tivermos um Celular para receber um SMS e dar continuidade na operação.


Na Idade Média, para se entrar num feudo, primeiro vinha sozinho o identificador para que pudessem abaixar a ponte elevada para os demais. Os Condomínios atuais substituíram as pontes elevadiças por clausuras vigiadas por porteiros e câmaras, até que nos identifiquem, mas estas, já se mostram falhas e estão sendo substituídas por sistemas de identificação à distância, sem porteiros.


Automóveis estão sendo testados sem motoristas, há estudos para que aviões possam fazer vôos intercontinentais sem pilotos, e em certas regiões drones já fazem entregas.


O que é o homem, esse que caminha pra não sair do lugar (sic), cuja identificação eletrônica é mais aceitável que sua presença fisica?


Esse bípede falante, que aceita viver cercado de Regras que julga inteligentes, inventadas pela ganância sem limites de filósofos do tecnicismo,  tecnocratas que comandam corporações, políticos que dirigem países -, possivelmente nem perceba que estão excluindo o humano do ser ‘humano’, e  tudo indica que nesse trem só há bilhetes “one way”.

30 de jul. de 2014

Destino e Utopia

Perguntaram a um cineasta o que era utopia (ao seu lado Eduardo Galeano suspirou – "ainda bem que essa não caiu pra mim..." ).

O cineasta disse: "Utopia é aquilo que perseguimos, mas a cada passo que damos ela se afasta..." Logo voltaram a lhe perguntar: "Então pra que serve a utopia?"

"Serve para caminharmos.." – respondeu.

Penso ser a resposta mais sintética e precisa que já ouvi, fala sub-repticiamente do destino.

Ter um sonho e persegui-lo por toda uma vida, e lá distante, às vezes nem tão distante, a visão concreta desse desejo...  mas esse quase é inatingível. Serviu, sim, para caminhar e dar razão a existência, mas a utopia mostrou que o livre arbítrio não é irrestrito.

Que ninguém duvide, que à priori não é impossível que um indivíduo comum se torne um astronauta ocasional. Não é necessário ser atleta, só é preciso ter boa saúde e muito dinheiro, condição aliás básica, que quem não tem pode vir a ter, o que não é impossível. Mas o objetivo, essa razão de ser, faz-se água se o indivíduo na última hora tiver náuseas, dor de estômago ou mostrar paúra  – reprovado, acabou o sonho. Não foi por falta de desejo, obstinação, luta, apenas seus genes não quiseram que fosse possível, porque esse era seu destino.

A utopia não é órfã do destino escrito pelo indivíduo.

Que se constrói com o que nos foi presenteado pelo genoma e por tudo que está ao nosso redor finito, somado as quase infinitas possibilidades do pensamento, cujas escolhas, conscientes e inconscientes - o livre arbítrio - determinam nossa existência. A estrada é larga, sinuosa e longa, tem vista e pode-se parar no acostamento, mas também tem buracos e não é de dupla mão.

Aos que creem que suas atitudes são regidas pelo mistério, que suas conquistas se devem a ele, tal como seus erros, e são candidatos à plenitude se forem merecedores, nada do que penso tem o poder de mudar uma vírgula quando as palavras são revestidas de fé. 

E o que me aflora desde sempre, é que a única coisa que não se pode discordar, é que com as palavras exatas tudo deste mundo pode ser dividido em dois - não exatamente em partes iguais, mas em dois: os brancos e os não brancos, os que fumam e os não fumantes; crentes e descrentes; os mais ou menos honestos e os desonestos; os muito doentes e os menos doentes, os que concordam e os que discordam etc.


15 de jun. de 2013

INSPIRAÇÃO

Escrever... 
Se não é de ofício
tem que ser com vontade,
trem sem destino certo, sem horário, 
vem como vai.
Palavras, como gestos,
têm estética, têm cheiro,
mas não se comem!
Sempre indigestas
em vetores sem tinta,
gravadas em papel, 
faladas,
diferenças não têm!
Não fosse veneno
pouco importaria se átonas, tônicas,
ou com a ordem das letras,
indiscriminadamente goela abaixo iam todas
quando a fome apertasse,
com seus acentos e vírgulas,
seus parênteses, até as malditas!
Mas na marra a boca amarra,
o coração se cala, 
o dedo emperra
e não se arrisca o toque,
que do futuro não se empresta.
Tem o bilhete? Espera.
O tempo é o dono da Estação
desse trem louco.